quinta-feira, 13 de novembro de 2008

PROFISSÂO MC - O filme

                        Alessandro Buzo e Criolo Doido

Só mesmo o doido do Alessandro Buzo para fazer a loucura de rodar um filme longa metragem, em apenas 7 dias. Porque em 7 dias ? Primeiro porque é tempo pra caramba, Deus criou o mundo em 6 e descansou no sétimo. Segundo porque o filme é (0800), não capitou um único real (precisamos e aceitamos apoio). Então sem grana, todos os atores, cameras e edição vai ser feito por parceiros do projeto, não existe cachê. Sem grana, só mesmo fazendo rápido, para não ocupar demais a todos. Poucos dias mas tudo feito com qualidade, duas cameras em HD total, equipe DGT Filmes (Povo Lindo, Povo Inteligênte (2008), Oswaldinho da Cuica - Cidadão Samba (prelo). Que além de filmar, depois vai editar. A mesma equipe que produz o quadro Buzão - Circular Periférico do Programa Manos e Minas da TV Cultura, além do Buzo, Toni Nogueira que divide a direção, Mauricio Falcão, Sérgio Gagliard e Tiago "Cabelo" Pastoreli. O único ator profissional que será convidado é o Antonio de Niggro que fez o Pernoca no seriado Turma do Gueto da TV Record. Buzo aguarda saber se o amigo pode. Além do Rapper Criolo Doido, que é estreiante nas telas, o resto do elenco de "profissão mc" também são. Muitas vagas já foram preenchidas, se liga no time............Da Antiga (Traficante 1), Zumba (Traficante 2), Trutty (compra droga 1), Alexandre de Maio (compra droga 2), Zé Augusto (compra droga 3), Ricardo Relógio (compra droga 4), Tubarão (compra droga 5) serão 15 pessoas que aparecem comprando drogas. Segue o elenco com o Dê (Policial, voz de prisão), Mauricio Falcão (policial viaduto), Antonio de Niggro (policial carrinho pipoca), Vagnão (Policial apoio), Cacau (cara do estudio), Rappin Hood (como Rappin Hood mesmo, apresentando o Criolo Doido no Manos e Minas da TV Cultura), Marilda Borges (atendente loja 1), Eduardo B Boy (atendente de loja 2). Ainda estamos confirmando outros nomes. Sinopse O filme começa numa quadra de society (areia) na favela do D´Avó, debaixo do viaduto da China (região do Itaim Paulista no extremo leste de São Paulo). Criolo Doido está com dois amigos de infancia, vendo a molecada jogando bola. Ele é um cara comum da periferia que sonha cantar rap e está passando perreio desempregado, com a namorada gravida. Do seu lado estão o Da Antiga, que é o principal traficante da favela onde eles se encontram, é o patrão. E o amigo que canta Rap com o Criolo. Na hora que passa uma mina, eles falam de mulher e Criolo Doido revela que a mina ta gravida e ele duro. O "amigo" traficante oferece drogas pra ele vender e o amigo do rap, repreende e diz que ele é um talento. Depois mostra ele procurando trampo e por fim amanhecendo ao lado da mina que fala um monte da situação, ele sai tretando e encontra o amigo traficante de cara, aceita o seu convite e passa a vender droga. Começa na humilde e depois os negocios prosperam, ele vira o cara e depois da morte do Da Antiga (emboscada), vira o novo patrão. Só que um dia a casa cai e quando ele vai em cana, na hora que a grade bate, volta tudo.......................................até ele discutir com a sua mina e sair de casa. Desta vez, não encontra o traficante e sim o amigo do RAP, que anuncia que o Cacau do estudio, deu uma faixa de presente pra eles, com tanto que as demais do CD eles fizessem depois com ele. Então mostra o Criolo Doido em vez de vendendo droga e ganhando dinheiro, dando dura no estudio, procurando um trampo e enfim arrumando. Depois lançando seu primeiro CD e enfim sendo convidado para cantar na TV Cultura, no Programa Manos e Minas apresentado pelo Rappin Hood. * Na vida real Criolo Doido foi atração do mesmo programa, que foi ao ar no dia 05/11/2008. A gravando pra TV é o oposto total dele indo preso na primeira parte e no Manos e Minas, ele no auge, acaba o filme. "Profissão MC" é um rapper que deu certo e que tinha tudo a sua disposição para não dar.
Argumento e roteiro, Alessandro Buzo. Direção: Alessandro Buzo e Toni Nogueira. DGT FILMES (2008/2009)
Por Buzo

It’s Yours Take It - São Paulo - Brasil


Essa é a chamada geral a todos os artistas do planeta e principalmente os brasileiros, envie essa mensagem para os amigos e espalhe esse evento inédito no Brasil!
Muitos artistas estrangeiros já mandaram e continuam mandando obras!
“It’s Yours Take It” é uma exposição mundial de FREE ART (arte grátis), onde artistas de vários países enviam suas obras para serem expostas em local público - como ruas, praças, parques, eventos ao ar livre ou simplesmente deixando na rua para alguém pegar - assim durante o evento as obras estarão sendo “doadas” para o público!

ARTE PARA TODOS !!!!

Na primeira versão do “It’s Yours Take it! São Paulo - Brasil” as obras serão apresentadas no “HALL OF FAME BRASIL”, um imenso corredor de labirintos pintados por Grafiteiros de diversos locais do Brasil e do mundo, além de ser uma grande praça da vila de artes mais conhecida do brasil, a Vila Madalena (o local foi usado em 2001 para 0 lançamento da revista Arte Nas Ruas).
O evento It’s Yours Take it! Brasil, apresentará tambem MCs, DJs e B.boys, além de pinturas de pinturas, videografismo e muito mais… Artistas dos outros elementos (Rap, MCs, DJs e B.boys) interessados em participar, devem entrar em contato pelo email: mailto:sp9370@yahoo.com.br

Mais informações:www.flickr.com/groups/824529@N25 (Fórum)www.flickr.com/photos/gejo

Os artistas interessados em enviar as obras podem escrever para mailto:sp9370@yahoo.com.br ou enviar a obra para:
Caixa Postal: 44.314CEP: 03658-970São Paulo - SP
Local: Beco Escola Aprendiz - Rua Belmiro Braga - Vila MadalenaData: 06/12 - 2008Horário: 10h00 às 22h00Tema: livreObras: madeira, papelão, stickers, posters, telas, painel, papel, recicláveis ou outros materiais.Prazo para entrega: 15/11Organização: Gejo - Gil - Eymard Ribeiro


Pensamento...

“se sentires a dor dos outros com a tua dor, se a injustiça no corpo do oprimido for a injustiça que fere a tua própria pele, se a lágrima que cair do rosto desesperado for a lágrima que você também derrama, se o sonho dos deserdados desta sociedade cruel e sem piedade for o teu sonho de uma terra prometida, então serás um revolucionário, terás vivido a solidariedade essencial.”

Leonardo Boff

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Projeto Radiola V.12


Ativistas invadem laboratório da USP



10/ 11/ 2008 - O grupo Frente de Libertação Animal (FLA) invadiu um laboratório do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e destruiu materiais de pesquisas, equipamentos e computadores. Ninguém foi identificado ou detido.

De acordo com a polícia, uma professora da Faculdade de Biologia comunicou a ação do grupo ao 93º DP (Jaguaré), por volta das 10h30m de quinta. O prédio foi invadido por volta das 8h15m. O grupo, que protesta contra a utilização de animais em pesquisas, danificou o microscópio, o monitor do computador, um notebook e cortou os fios dos telefones. Eles espalharam os materiais de pesquisas pelo chão, o que danificou sua utilização. Nada foi levado do laboratório.

Segundo a polícia, o grupo também pichou a parede com a seguinte frase: "ALF ataca novamente. Nós voltaremos. Pensem em alternativas." ALF (Animal Liberation Front) é a sigla do grupo em inglês. O grupo costuma fazer ações para libertar animais que são usados em pesquisas. Em seu site, a ALF estimula ações individuais, como resgates e sabotagens. A polícia pediu que fosse feita perícia técnica no local. O caso foi registrado no 93º DP como danos qualificados.

Grupo é contra exploração de bichos

O Animal Liberation Front (ALF), ou Frente de Libertação Animal (FLA), é um grupo sem líderes que atua em cerca de 35 países. O grupo age em células que operam clandestina e independentemente umas das outras. No Reino Unido, eles utilizam uma frase que explica esse modelo de ativismo: "Por isto que a FLA não pode ser destruída, não pode ser infiltrada, não pode ser parada. Você, todos e cada um: vocês são a FLA."

Um dos objetivos da Frente de Libertação Animal é causar dano aos que lucram com a miséria e a exploração dos bichos. Como a estrutura do grupo não tem hierarquia, cada indivíduo ou célula controla sua própria atividade. As ações são anônimas e divulgadas pelo grupo em seu site. O último registro é de uma ação na Universidade de Los Angeles, nos Estados Unidos. A invasão na USP não está registrada na página.

Fonte: mídia corporativa

terça-feira, 11 de novembro de 2008

CRIANÇARTE




A criança trabalha.

Arquiteta sua arte com areia e água. Água e sal. Brinquedos. Trabalha com o sol, com o vento e com os aromas. Sua arte possui uma estética própria. Não se prende às regras ou convenções. Constrói para desconstruir e recomeçar.

Do castelo surgem cidades, alegrias, mares e pontes. Sonhos que guiam a breve brincadeira. Depois de sonhar, desconstruir e recomeçar. Não importam as opiniões, - “Que lindo!”, “Esse tá feio, faz de novo” - o sentido é apenas o jogo de fazer e desfazer. Sem linhas retas. Sem princípio nem fim. Sem deus nem dúvidas. Livre de conceitos ou pretensões. Apenas criar. Divertir-se. Preencher-se. Viver.

Ama sem racionalizar o amor. Vive sem saber que morre. Aprende sem saber que ensina. Ilumina inconsciente de sua luz. É rei na sua anarquia. Paz sem sombra de guerra.
O mundo do concreto ainda lhe é estranho. Seu contato maior é com o mundo dos sentidos. Com o sensorial. Que lembranças ainda trará do mundo uterino? Quais sobreviverão à permanente erosão causada pelas chuvas de opiniões externas? Quais sucumbirão?

Sua brincadeira é arte. Liberdade. Dionísio sem Apolo. É Hermeto e seus experimentos. Van Gogh e suas tintas. Seus amarelos. Tom Zé e seus instrumentos. A roda de Duchamp. As pedaladas de Robinho. A pedra no caminho de Drummond. Não há perpetuação. Nada está estabelecido e a beleza é um momento fugaz. Despretensioso. Lança mundos em um mundo que não se sabe mundo. Um universo paralelo. Um paraíso artificial.

Chegará o dia da expulsão do paraíso do livre pensamento e ela será condenada a vagar pelo mundo dos pensamentos pré-concebidos? Trocará sua livre expressão pelo raciocínio pré-estabelecido pelas religiões, ideologias e os grandes meios de irracionalização? Ou conseguirá matar o minotauro da ganância e, guiando-se pelo novelo da evolução, escapar do labirinto do individualismo e da ignorância?

De suas decisões depende o mundo. A nossa esperança de futuro. “Vinde a mim as criancinhas”. Só um mundo formado pela autonomia da imaginação infantil será capaz de sobreviver. De lançar novas alternativas ao modelo arcaico dessa socialização violenta sempre em busca da homogeneidade. De varrer as teias de aranha do mundo uniforme das guerras e destruições e plantar as sementes de gentileza e diversidade.

Como um Deus criança, ela brinca de criar. Cria significante e significados. Céus e estrelas. Amigos e seres. Fonemas e ritmos. Mágicas e receitas. Transforma a panela em chapéu, a areia em castelo, bicho em gente, idoso em criança, açúcar em sal, meia em bola.

Os adultos observam.

Brincam de pais. Brincam de educar. Brincam que a vida é séria e que a idade, por si só, traz sabedoria.

A criança ri.

Leandro Luiz Rodrigues

Mais textos no blog: http://mandandobrasa.blogspot.com/

Autônomos FC


Autônomos FC: "futebol com alegria, mais espontâneo, menos mercadológico"

Criado por punks e anarquistas, desde 1º de maio de 2006, existe na Grande São Paulo um time de futebol autogestionado, com espírito anárquico. O Autônomos Futebol Clube, ou "Auto", como é carinhosamente chamado por seus "fãs". "Um time com ideal autogestionário, anti-racista, anti-fascista, contra o futebol mercadoria", explica Kadj Oman, um dos fundadores do clube. Na entrevista a seguir, ele fala, com a espontaneidade e malandragem libertária de um bom boleiro varzeano, do Autônomos FC e do esporte mais popular do país, cada vez mais industrializado e burocratizado pelos interesses materiais. Mas que, também, sob sol e chuva, terra batida, bola improvisada, descalços, resiste, alegra e encanta nas mais diversas "peladas" das periferias e rincões miseráveis do Brasil. Confira o bate-bola:

Agência de Notícias Anarquistas > Fale um pouco sobre o Autônomos Futebol Clube, sua organização e objetivos, em que contexto ele surge...

Kadj Oman < Bom, no fim de 2005, eu comecei a organizar um campeonato de futebol de salão que se chamava Copa Autonomia. Nele, não havia juiz e as regras eram poucas. Fizemos 10 edições dessa copa sem nenhum problema. Mulheres jogavam, crianças, a gente se divertia (inclusive, dá pra ver o vídeo da 1ª edição do torneio procurando pelo nome no YouTube). Aí, no Carnaval Revolução de 2006, em Belo Horizonte (MG), acabei participando de uma palestra/bate-papo sobre futebol e revolução, e conheci o Mau, o Jão e a Mix, do Ativismo ABC. Compartilhando um pouco das nossas angústias sobre o punk e o futebol, tivemos a idéia de fazer algo nesse sentido quando voltássemos. Aí eu aproveitei que na Copa Autonomia tinha um pessoal interessado na idéia e fundamos o time, pra jogar futebol society, no início. Foi uma época de muitas alegrias e muitas derrotas, tirando as amizades que surgiram. Jogaram suíços (5 ao mesmo tempo, de uma banda de ska), argentinos, australianos, canadenses, colombianos. E muitos brasileiros, punks ou não, afeitos ao ideal de autogestão. Mas o society era mercadológico demais pra gente, e então fomos pra várzea, onde mais e mais gente foi se interessando pelo time e ele cresceu. Hoje temos dois quadros e um time "júnior", composto por alunos de um dos zagueiros do time. Sobre a organização, bem, a gente divide tudo, desde lavar os uniformes até ficar de gandula nos jogos, passando pela vaquinha pra pagar o campo em que jogamos, que é alugado. E os objetivos sempre foram o de resgatar o futebol com alegria, mais espontâneo, menos mercadológico, sem se fechar a qualquer um que concordasse com a idéia de autogestão. Faz pouco mais de um mês, traçamos um estatuto, já que o time está cada vez maior e a gente não quer perder o objetivo principal dele, que é se divertir. Lógico que jogamos pra ganhar, até porque fazer as coisas você mesmo pra gente significa fazer o melhor possível, mostrar o quão bom se pode ser assim. Mas não colocamos a vitória acima de tudo - aliás, só nos últimos 4 meses que o time passou a ganhar mais do que perder mesmo.

ANA > E que história é essa de futebol autogestionado?

Oman < Pra ser justo, toda a várzea é meio que autogestionada. Surgem campos onde quer que haja um pedacinho de terreno, por mais que a metrópole engula espaços e vomite de volta o futebol society e o futsal, além do profissional, é claro. Mas no nosso caso, a autogestão passa por uma questão estrutural, de não ter presidente, diretor, tesoureiro, nada. Temos sim capitão, técnico, goleiros, laterais-direitos, porque isso não tem a ver com hierarquia necessariamente, e sim com aptidões ou gostos pessoais por jogar aqui ou ali, ou fazer essa ou aquela função. E divulgamos essa idéia de autogestão por onde jogamos, distribuindo panfletos ou no boca-a-boca mesmo. Alguns jogadores que estão com a gente, inclusive, eram de times que enfrentamos e que gostaram do nosso jeito de lidar com as coisas. Então a nossa autogestão é tentar ser o mais livre possível dentro do que se quer ser, mas respeitando os princípios básicos e as responsabilidades inerentes a todo projeto coletivo, como chegar na hora, colaborar com a grana sempre que necessário etc. Claro que no meio disso tudo às vezes surgem conflitos, mas o que seria a vida sem conflitos?

ANA > E qual a relação do Autônomos FC com o anarquismo? A cor do uniforme é mera coincidência? (risos)

Oman < (risos) É não é não. Acontece que o time foi fundado por punks e anarquistas, então na hora de escolher o escudo e as cores do uniforme isso contou. Mas conforme foi crescendo, o Auto (apelido carinhoso do time) foi se abrindo. Nunca foi um time explicitamente anarquista, mas sempre foi um time com ideal autogestionário, anti-racista, anti-fascista, contra o futebol mercadoria. Na verdade, os fundadores e boa parte do time, hoje, é de românticos, que ainda enxerga o futebol como uma crônica continuamente narrada a muitas vozes sobre a vida. Até banda de "rock'n'gol" o time gerou, a Fora de Jogo, que toca trajada com os uniformes do time e fala de futebol (sob uma ótica política) em todas as suas músicas. Além de que, convenhamos, preto e vermelho é uma combinação de cores das mais bonitas que existe. Os anarquistas, além de tudo, sempre tiveram bom senso estético. (risos)

ANA > Como explicar um anarquista ser fanático por futebol, por um time profissional, que cada vez mais são verdadeiros instrumentos capitalistas de manipulação, consumo e controle social? Ou assim como o amor não tem explicação? (risos)

Oman < Olha, explicação mesmo acho que não tem. A gente cresce gostando de futebol, aprende nele e com ele a se expressar, a se entender no meio de um coletivo (a torcida), acaba virando um dos nossos primeiros lugares de socialização. E como é o único que é contínuo pela vida toda, difícil se desligar dele. Até porque existiram muitos times anarquistas na história, o começo do futebol é operário, e ele é mais do que tudo uma festa popular. No início do século anarquistas aqui em São Paulo nomeavam suas equipes de "Flor" ou "Estrela". Então, sempre que você encontrar um boteco ou padaria com esse nome, são grandes as chances de ele ter um passado anarquista. (risos)

E se o profissional é cada vez mais instrumento de controle, ele permite também nas suas brechas diversos tipos de encontros essencialmente anti-capitalistas, pró-ócio, pró-festa. A Gaviões da Fiel, torcida do Corinthians, por exemplo, se aproximou do MST nos últimos anos, dos Sem-Teto, promove festivais de cinema político, entre outras coisas. Temos que tomar cuidado pra não tomar a festa do povo por ópio, esse velho clichê, porque não é simples assim. O futebol foi apropriado pelo capital, assim como todo o resto, mas o próprio capital, contraditório que é, recria possibilidades dentro do profissional mesmo de ir contra ele (um bom exemplo, embora já meio distante temporalmente, é a Democracia Corinthiana). Cabe encontrar essas brechas, aproveitá-las, aprofundá-las. Durante toda a sua história o futebol opôs controle à festa, foi usado para dominar de um lado e para contra-atacar o domínio de outro. São tantas as histórias possíveis de serem contadas dentro do futebol... Um livro legal sobre isso é o "A Dança dos Deuses - Futebol, Sociedade, Cultura", do historiador Hilário Franco Júnior. O que podemos e devemos fazer é continuar a contá-las, do nosso jeito, sem deixar que as vendam como mero produto descartável.

ANA > Será mesmo que o futebol profissional recria possibilidades de ir contra ele mesmo? Não acredito. O futebol profissional brasileiro está tomado pela maracatuia, pelo mercado, pelo negócio, vide Rede Globo, CBF´s, Trafic´s, Adidas e por aí vai. E por outro lado, os jogadores profissionais, na sua maioria, são despolitizados, sem atitude, vão à mercê dos dirigentes, cartolas. E no grosso as torcidas organizadas não são muito diferentes disso tudo não, também vão a reboque de políticos, dirigentes, cartolas... Na Itália, e em outras partes da Europa, que foi criado um movimento interessante por vários grupos "Ultras", chamado "Contra o Futebol Moderno", que luta contra as condições precárias dos estádios, ingressos caros, partidas sendo jogados em horários não-tradicionais, jogadores sendo vendidos como mercadoria, a comercialização excessiva no futebol etc. As torcidas uniformizadas do Brasil poderiam seguir esse exemplo, não?

Oman < Não vou te dizer que o profissional dá possibilidades o tempo todo de se ir contra ele, mas as recria vez ou outra sim. Se está envolto em tudo isso que foi mencionado, me diga, em que é diferente de qualquer outra esfera da sociedade? Tudo foi apropriado pelo capital, as relações sociais baseadas na venda são quase totalitárias, então as brechas são mesmo pequenas, ainda mais em um país onde as organizações sociais são tão marginalizadas e politicamente tão superficiais (não todas). As organizadas seguem o mesmo caminho. Não dá pra esperar delas uma postura que nenhum (ou quase nenhum) outro movimento organizado da sociedade toma, como essa de ir contra o futebol moderno. As poucas torcidas que vejo tentando seguir algum exemplo de fora acabam copiando as formas estéticas, as faixas, os gritos de guerra, mas não o conteúdo das reivindicações. Mas mesmo assim há organizadas indo contra sim. Um exemplo é a Resistência Coral, do Ferroviáio do Ceará, abertamente anti-capitalista, que leva faixas com dizeres como "paz entre as torcidas, guerra ao Estado". Normalmente são torcidas menores, frutos de movimentos pequenos, como em geral é o anarquismo e o anti-capitalismo no Brasil. Mesmo assim, nas grandes torcidas aparecem às vezes manifestações nesse sentido. Já citei a Gaviões, que este ano levou faixas contra o preço dos ingressos nos jogos fora de casa do Corinthians. A Mancha Verde, do Palmeiras, também recentemente protestou contra o preço dos ingressos no estádio do clube. Eu acredito que os próprios constrangimentos que o capital imprime junta pessoas em direção a lutas por direitos básicos. Essa história da Copa 2014 e seus estádios a la européia vai dar pano pra manga. Já dá, aliás. Ano passado, acompanhando a final da Taça Brahma no estádio do Palmeiras, vi um monte de gente de Itapevi, cidade periférica da Grande São Paulo, se deslumbrando com o Setor Visa, pedaço do estádio com preços altos e cheio de mordomias. Outras pessoas, ao mesmo tempo, achavam aquilo absurdo, porque elitizava o estádio. A força das organizadas, que a mídia insiste em colocar na violência e na coerção, na verdade reside no fato de que elas são aglutinadoras de gente da periferia, que é quem mais sofre com as restrições do capital. Disso sempre pode surgir algo. E há de lembrar também que na mesma Europa contra o futebol moderno estão torcidas neonazistas, que também são contra o futebol moderno, obviamente por outros motivos. A Eurocopa desse ano mostrou neonazistas croatas com faixas com esses dizeres. Então, temos sempre que pensar as possibilidades dentro das realidades históricas, sociais, políticas de cada lugar. Não dá pra querer no Brasil a força de um movimento anarquista organizado como o grego, por exemplo, do dia pra noite. Mas nem por isso não existem possibilidades ou se deve jogar fora o que há.

ANA > Num papo sobre "Cultura e Futebol", um crítico de arte e amante do futebol disse: "Anabolizado ao máximo pelas táticas e pelo preparo físico, o jogo vem mudando um pouco de figura, atenuando seus componentes anárquicos e tendendo à exacerbação de seus aspectos mais previsíveis. No fundo, o desafio aqui é o mesmo da arte. Disfarçada de permissiva, vivemos uma época obsessiva pelo controle, ainda que o nome do controle, muitas vezes, seja obediência tática, desempenho, pró-atividade, boa administração." E aí, a indústria do futebol está matando a criatividade, espontaneidade do futebol? O que pensa disso tudo?

Oman < Isso é verdadeiro se falamos de futebol profissional, e em boa parte do amador, também, que acaba se tornando cada vez mais um "espelho quebrado" disso tudo. Mas o futebol sempre se reinventou a todo tempo, independentemente do tanto de controle (tecnológico ou não) que o capital tentou impor sobre ele. No começo ele era um jogo de drible de nobres ingleses. Os operários o transformaram em um jogo de passe, e assim ele chegou aqui. Com esse jogo de passe o Uruguai, viajando de forma precária, conquistou duas Olimpíadas na Europa na década de 20. Por aqui, estudantes e a elite começaram a jogar só entre si, mas não demorou para a maioria de negros, caipiras, indígenas e trabalhadores rurais adaptar o jogo pra sua realidade, cheia de entreveros a serem "driblados". E surgiu o futebol brasileiro, baseado no drible, cujos expoentes máximos são Pelé e Garrincha. Garrincha que já se tentou domar desde a Copa de 58, inclusive, mas a quem tiveram de se render depois do insosso empate em 0 a 0 com o País de Gales na segunda rodada. Se formos falar de várzea, então, veremos que o próprio capital recria o futebol. Acaba com os campos no centro da metrópole pra urbanizá-la. Expulsa trabalhadores e pobres para as periferias não-urbanizadas. E lá os campos pipocam novamente. E assim vai. Já nos estádios a coisa não vai tão bem, com a vigilância ostensiva cada vez maior, querendo transformar torcedor em mero consumidor e torcida organizada em bandido violento, quando se é muito mais que isso. A Copa 2014 vai representar um momento drástico nesse embate. Torço para que até lá estejamos fortes o suficiente pra ao menos sermos ouvidos contra essa transformação do estádio em shopping center.

ANA > Falando em arte. No Brasil há poucos livros abordando o futebol. Vocês não projetam lançar algo neste sentido?

Oman < Pessoalmente estou terminando um trabalho acadêmico sobre o futebol contemporâneo na metrópole de São Paulo, mas isso não tem a ver com o time, embora eu fale dele na pesquisa. E na verdade a produção de livros (e filmes) sobre o futebol tem crescido no país, está se re-descobrindo que o esporte é uma expressão da própria sociedade, às vezes artística, às vezes não. Porém, no time, temos algumas pessoas que não só gostam de escrever como fazem isso regularmente acerca do futebol. Quem sabe você mesmo não está lançando uma idéia muito boa pra gente? Por exemplo, costumamos noticiar nossos jogos na lista de e-mails como se fossem notícias de jornais inventados, "A Plebe", "O Povo" e coisas assim. Isso pode dar coisa boa, rapaz! Inclusive, no site que sempre projetamos e nunca fazemos, essas coisas vão constar com certeza.

ANA > Recentemente quando esteve em São Paulo, John Zerzan comentou que tinha sido lançado um livro nos Estados Unidos que abordava "anarquismo, comunismo e futebol". Se eu não estou equivocado, o título do livro é "Revolution: The Girly Gay Commie Soccer Threat To The American Way Of Life".

Oman < É que o "soccer" nos EUA tem outra perspectiva. É esporte da classe média, das mulheres, dos gays, dos latinos. Das minorias. O povão lá acompanha os esportes de pontuação alta, basquete, futebol americano, hóquei. Isso gera bizarrices como mães que obrigam seus filhos a jogar futebol de capacete porque cabecear a bola pode machucar. Não é coincidência que nesses seriados de TV paga feitos pra classe média as mães sempre levem seus filhos para o futebol, ou que tantos filmes infantis sejam feitos sobre futebol onde uma menina ou um cachorro são os protagonistas principais e os filmes sempre são leves, pretensamente divertidos. Já os filmes sobre basquete ou futebol americano envolvem histórias viris, de superação a todo custo, de exaltação do amor à camisa (ou a pátria), temas muito mais povão por lá. Os Simpsons têm um episódio em que sacaneiam o futebol, mostrado como um jogo em que se fica passando a bola e não acontece nada e no final as torcidas vandalizam o estádio. Então por lá pode ser que os anarquistas ou comunistas vejam no esporte algo mais "libertário" simplesmente por ser contra os valores esportivos tradicionais. Mas isso está longe de ser necessariamente verdadeiro. Tem um livro de um jornalista americano apaixonado por futebol chamado "Como o Futebol Explica o Mundo" em que em um dos capítulos ele fala dessa coisa do "soccer" por lá, a discriminação, esse tratamento como esporte de filhinho-de-mamãe e de latinos, de inimigos da pátria. Vale conferir.

ANA > Você sabia que o libertário Albert Camus, teve uma breve carreira de goleiro de futebol, interrompida aos 17 anos quando contraiu tuberculose nas ruas de Argel? Uma vez perguntado por um jornalista sobre a importância do futebol em sua vida, ele respondeu: "O que eu sei sobre a moral e as obrigações de um homem devo ao tempo em que joguei futebol..."

Oman < Sim, inclusive esse assunto esteve em pauta entre a gente faz pouquíssimo tempo. A Argélia tem também, inclusive, uma outra história sobre futebol muito bacana: quando da guerra pela independência, um grupo de jogadores argelinos, alguns profissionais em clubes franceses, abandonaram suas equipes e fizeram amistosos pelo mundo em prol da causa argelina. Essa "seleção" foi até reconhecida pela FIFA, antes mesmo do país, assim como acontece com a Palestina hoje. Ficaram conhecido como "Revolutionnáire XI", ou "Revolucionário Onze", numa tradução livre. O Camus com certeza devia andar lado a lado com eles. E essa frase dele sintetiza muito bem como o futebol é representação da vida, da guerra, da arte, da sociedade.

ANA > Há algum filme sobre futebol que você goste, destacaria?

Oman < Olha, eu particularmente sou muito deslumbrado com filmes de futebol, mesmo os bobos. Tem um patrocinado pela Adidas que chama "Gol! O Sonho Impossível", onde um mexicano ilegal nos EUA consegue ir jogar pelo Newcastle, da Inglaterra. É bem bobo, mas me diverte. Já filmes sérios, acho o do Garrincha bom, e os dois "Boleiros" interessantes. Mas não destacaria nenhum deles em especial, são mais crônicas apaixonadas do que qualquer coisa. Legais pra se apaixonar, nem tanto pra fazer uma crítica sobre o futebol. Deixo claro que essa é a minha opinião, não sei se outras pessoas do time pensam assim. Tem gente que gostou desse filme novo aí, "Linha de Passe". Eu não assisti, tenho um certo ranço com essa coisa de cineasta brasileiro que faz filme do tipo "vejam a nossa pobreza, que sofrida, que bonita, que romântica" pra europeu ver, filme que sempre tem um final poeticamente feliz. Já documentários, tem um que eu acho muito bom, argentino, que chama "A Outra Copa" e mostra todas as dificuldades da equipe de "futebol de rua" (ou seja, moradores de rua que jogam) da Argentina em ir para a Copa do Mundo da "categoria" na Suécia (site do torneio: http://homeless.worldcup.org). Um detalhe desse campeonato é que a Itália ganhou duas ou três vezes. Só que o time italiano é formado por latinos (brasileiros, argentinos, uruguaios), que foram pra lá e viraram moradores de rua. E tem também filmes bons onde o futebol é pano de fundo: "Fora do Jogo", do Irã, sobre mulheres que querem assistir a um jogo da seleção e são barradas; "Crônicas de Uma Fuga", argentino, muito bom, sobre um goleiro que é preso pela ditadura confundido com um militante político e elabora um jeito de fugir (o final é dos mais lindos que já vi em filmes); "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", pra mim um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos, que tem tanto o futebol profissional como o futebol de várzea como pano de fundo, com um negro como goleiro do time dos judeus no bairro do Bom Retiro; e tem um que o Jão citou mas eu nunca vi que chama "Pra frente Brasil". Por fim, tem um documentário uruguaio não tão bom chamado "Aparte", sobre moradores das periferias que, entre outras coisas, são catadores de latinhas, onde há uma presença do futebol muito forte, tendo inclusive imagens de um jogo de várzea só de mulheres, coisa rara de se ver na vida e na arte.

ANA > É cada vez maior a presença feminina no universo do futebol, assim como a violência no futebol, entre as torcidas, ou grupo de torcedores pressionando agressivamente dirigentes, técnicos, jogadores... Contudo, raramente vemos mulheres nessas brigas, confusões. O fato é que os homens são um bando de idiotas mesmo? (risos)

Oman < (risos) Creio que a cultura masculina é mais permeada de agressividade e babaquices do que a feminina, mas de uma forma geral essa violência é resultado de muitas outras violências anteriores, como o preço dos ingressos, dos alimentos, o tratamento dispensado pela polícia, a localização dos estádios em centros nobres onde a entrada dos torcedores não é permitida em dias comuns. Já a entrada das mulheres no jogo não é bem uma entrada, é uma volta, pelo menos em alguns lugares. Aqui em São Paulo, por exemplo, no começo do futebol de várzea os clubes de bairro tinham departamentos femininos constituídos que eram responsáveis pela confecção e manutenção de bandeiras e troféus, ensino e execução do hino do clube, organização das festas que aconteciam junto aos jogos... O futebol era pano de fundo pra festa popular, muito mais do que um mero jogo. Festa feita por comunidades organizadas, que serviram de base para as próprias torcidas contemporâneas. E falando nelas, é importante também lembrar que a violência desses grupos organizados é só uma parte do que eles representam, a parte que serve pra mídia e pras instituições do futebol enfiarem goela abaixo a transformação do futebol em mercadoria, do torcedor em consumidor, cada um sentadinho quietinho na sua cadeira ou em frente à TV, consumindo. Um mecanismo de controle sobre uma das poucas coisas que o trabalhador, o pobre, o povo, enfim, tem como sendo dele, como intocável, independente de qualquer situação social ou econômica - até por isso a agressividade nas cobranças a dirigentes e jogadores, cobrança que às vezes lembra mesmo a de consumidores, mas que na maioria das vezes é a voz de quem está descontente com o tratamento dado a algo coletivo, um sentimento mesmo, aliás, dos poucos sentimentos que permanece num mundo onde tudo muda tão rápido.

ANA > Você acha que o futebol feminino não cresce no Brasil por causa do machismo, do preconceito? Como você diz, as mulheres historicamente sempre foram tratadas como subalternas, com papeis bem definidos, raramente como protagonistas do futebol, do jogo... Homem é uma desgraça mesmo. (risos)

Oman < (risos) É, não dá pra descartar a imbecilidade masculina nesse processo, mas acho que é algo mais econômico do que só cultural. Não dá dinheiro, então não cresce. O futebol feminino profissional é amador, na verdade. Mas por incrível que pareça no começo do futebol na Inglaterra existiam ligas de futebol feminino! Sumiram logo, mas existiram. No Brasil, eu acho que ao menos ultimamente a seleção feminina trouxe mais orgulho pros torcedores do que a masculina, até porque ela é mais humana, mais sofrida, mais cheia de sentimentos. O grande problema é que o crescimento que se espera do futebol feminino é o crescimento econômico, da profissionalização, da mercadoria. E esse não vai acontecer tão cedo - e eu, particularmente, nem sei se seria algo completamente bom. Mas se o tênis virou moda depois do Guga, tudo pode acontecer. Até porque em todos os esportes a presença feminina cresce e a distância entre os recordes masculinos e femininos diminui.

Mas voltando pro futebol, um dos zagueiros do time, que é professor, ficou sabendo que há um projeto pra 2009 de começar times de futebol feminino em todas as escolas estaduais de São Paulo. E no Auto, nossa mascote é a Mafalda, do Quino, pela postura contestadora dela e porque a maioria da nossa "torcida" acaba sendo das namoradas, mulheres, irmãs, então a homenagem a elas é mais do que justa. E se tiver meninas querendo formar um quadro feminino do Auto, por favor, apresentem-se! Nas poucas vezes em que jogamos futebol de salão houveram meninas jogando conosco. Não fazemos um time misto só porque isso é impossível na várzea. Mas um dia, quem sabe, dá pra tentar sim!

ANA > Como você vê essa história dos jogadores profissionais, em sua maioria, rezarem aos gritos um "Pai Nosso" antes dos jogos? Vocês do Autônomos FC fazem isso também? (risos)

Oman < (risos) Bom, eu vejo como um ritual herdado da várzea, onde todo time faz isso também. No Autônomos não fazemos isso, embora já tenhamos feito de sacanagem umas duas vezes, tentando ver se assim a gente não perdia. Não adiantou, parece que Deus não gosta muito de nós. (risos) No lugar de rezar a gente entoa um canto em homenagem à torcida. Dá pra ver isso nesse vídeo aqui, uma espécie de mini-documentário sobre o time: http://fiztv.uol.com.br/f/Video/assista/16751/0

ANA > Vocês já se imaginaram participando de um "Mundialito de Futebol Anti-Racista", desses que acontece na Europa, que reúne times de várias partes do mundo? (risos)

Oman < Cara, conhecemos isso esse ano através de uma equipe amadora anti-fascista inglesa que nos mandou um e-mail! Morremos de vontade de ir, mas não há condições financeiras pra isso. Em compensação, chamamos essa equipe pra jogos por aqui e eles aceitaram, agora estamos vendo quando eles poderão fazer isso, se poderão mesmo, como faremos. Com certeza se eles vierem será um momento único por aqui, novo, até uma oportunidade de encontro com organizadas, equipes amadoras, torcedores pra uma troca de experiências.

ANA > Uma coisa que sempre me chamou a atenção no futebol profissional é o fato de muitos jogadores negros, com "cara de nordestinos", se casarem com loiras, mulheres brancas. Quem exemplifica isso muito bem é o maior astro do futebol de todos os tempos, Pelé. Aliás, a única filha que ele teve com uma mulher negra até hoje ele não assumiu, muito pelo contrário, sempre se esquivou da história. É um mito dizer que no futebol brasileiro não há racismo?

Oman < Está longe de ser mito, muito longe mesmo! O futebol faz parte da sociedade, e se a sociedade é racista, é claro que no futebol isso vai aparecer. Não tem Obama ou Hamilton que mudem isso. (risos) Só pra dar um exemplo mais recente, o Felipe, goleiro do Corinthians, quando foi rebaixado pelo Vitória-BA foi chamado de macaco preguiçoso por um dirigente do time, que ele processou (o caso, até onde sei, está na Justiça ainda). Isso sem falar nas histórias passadas, de jogador negro passando pó-de-arroz na cara. É claro que o capital não vê cor quando o jogador dá lucro, mas ali no cotidiano dos jogadores, no dia-a-dia, rola racismo o tempo todo. Na Copa de 1958 o time que jogou os dois primeiros jogos só tinha brancos, fruto do preconceito adquirido na Copa de 50 quando o goleiro negro Barbosa foi culpado pela perda do título. Então isso vem de longe, desde o começo da bola rolando por aqui, do embate entre times da elite e times da várzea, que opunham fundamentalmente brancos a negros, pobres, mestiços, caipiras. Isso foi inclusive usado de desculpa pelos times da elite para não mais disputar jogos contra os times que aceitavam esses jogadores. O que acabou sendo mau negócio pra eles, porque perderam qualidade técnica e público (que na época eram a maior fonte de renda) e acabaram falindo. Veja só que coisa, o próprio processo capitalista no futebol fez os times pobres falirem os ricos. Mas o racismo continuou, está aí até hoje. O Pelé, pra mim, em termos raciais, é um Michael Jackson que não tentou se pintar de branco, nada mais do que isso. Sou Maradona mil vezes. (risos)

ANA > Para finalizar, quais os projetos futuros? Pretendem organizar algum evento com exposições, debates e palestras em torno do futebol?

Oman < Então, a vinda dos ingleses (a equipes se chama Easton Cowboys&Cowgirls, existe há mais de década e tem vários esportes, não só futebol, com participação feminina) nos deu a idéia e a vontade pra algo nesse sentido. Queremos chamar o pessoal da Resistência Coral e quem mais se sinta interessado pra participar também. Mas mesmo que eles não venham, acho que em 2009 devemos fazer algo nesse sentido. Esse ano fizemos um debate no Ativismo ABC sobre futebol e política, mas teve muito pouca gente. Queremos repetir isso em breve sim. Enquanto isso continuamos jogando na várzea, conhecendo e sendo conhecido. E quem sabe mais pra frente não conseguimos marcar uns jogos interestaduais? Soubemos que aí na Baixada Santista o pessoal libertário joga na praia às vezes, em Santa Catarina o pessoal do Passe Livre tem um time também... quem sabe uma liga de futebol autogestionário não se configura daqui uns anos? (risos) E tem também o "Auto Júnior", que acabamos de formar com a molecada, todos da extrema zona sul. Queremos levar eles pra outras coisas além de jogos, é um projeto que está começando e no qual estamos bastante empolgados. Por fim, temos o sonho de um dia ter um campo nosso, um terreno baldio qualquer, comprado ou cedido, pra poder fazer as coisas ainda mais do nosso jeito, levar os projetos adiante e colocar o time numa situação de maior presença no tempo e no espaço da cidade. Se alguém que estiver lendo isso tiver como e quiser ajudar, entre em contato!

ANA > Alguma coisa mais? Valeu!

Oman < Cara, queria agradecer muito em nome do time por esse espaço. O movimento anarquista no Brasil sempre teve muito preconceito com o futebol, é muito bom ter um espaço desse pra falar. O futebol sempre foi do povo por aqui, o capital destruiu isso e encobriu a história. É importante pra qualquer movimento que se pretende social se aproximar e entender melhor as coisas do povo, então que o futebol possa ser visto com mais carinho no meio libertário. E desculpa se eu falei demais, mas é que o tema propicia muita conversa... Por fim, um abraço pra todo mundo e quem se interessar pode entrar em contato com a gente, pra jogar, pra torcer, pra convidar ou planejar eventos, estamos aí! Abraços autogestionários!

Contato: autonomosfc@gmail.com

Blogs: http://autonomosfc.10.forumer.com/ e http://autonomosfc.blogspot.com/

Clipe da Banda Fora de Jogo: http://www.youtube.com/watch?v=uIg_tBadIvQ

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mostra Cultural da COOPERIFA


Idéia

Ei você...nunca venda ou empreste sua liberdade, homens e mulheres livres de verdade, multidão avante que o desafio é grande, Música, Literatura e Arte, fazendo sua parte!!

Genival de Oliveira Gonçalves - GOG

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Petrobrás, acordo espúrio, poluição, doenças e mortes


Petrobras, órgãos ambientais e indústria automobilística fecham acordo na "calada da noite" pela manutenção do uso de diesel com alto teor de enxofre, que trará prejuízo ao meio ambiente, à saúde pública e mortes de pessoas e animais.

Incrível! Mais um ato de irresponsabilidade dos governantes e poderosos. E fraqueza do "movimento" ambientalista brasileiro. Foi assinado ontem (30), em São Paulo, na "calada da noite", um acordo judicial para compensar o não cumprimento da Resolução 315 de 2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determinava a adoção, em todo o País, de um "diesel mais limpo", chamado S50, com 50 partes por milhão (ppm) de enxofre. O enxofre é um poluente cancerígeno, responsável por graves doenças pulmonares que causam a morte prematura de aproximadamente 3000 pessoas por ano só na cidade de São Paulo (vitimando principalmente crianças e idosos).
O diesel fornecido hoje nas regiões metropolitanas é de 500 partes por milhão, no interior tem 2.000 ppm de enxofre (altíssimo, ao ser comparado com os limites dos Estados Unidos, Japão e de países da Europa). A partir de 1º de janeiro, ele será substituído por um diesel "um pouco menos sujo", com 1.800 ppm de enxofre. E deverá ser gradualmente trocado, até 2014, pelo diesel com 500 ppm de enxofre - 900% mais poluente do que o S50. O acordo espúrio foi assinado pelo Ministério Público Federal (MPF), governo do Estado de São Paulo, Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Petrobras, Ibama, Cetesb, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, 16 montadoras de veículos e 1 fabricante de motores.

Diesel mata!

Apenas na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde.
"Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição", calcula.

Fonte:El Pececito Chuva de Fogo

Modelo dulixo

Ontem o projeto dulixo esteve na Escola Modelo em Santos/SP a convite da Professora Priscila Onishi que está trabalhando o tema da reciclagem e reaproveitamento de residuos sólidos com os alunos,além da oficina de arte com materiais recicláveis, trocamos várias idéias sobre reciclagem e uma correta destinação do lixo,destaque para a aluna Rubia e o aluno Vitor que deixaram de lado a timidez e mandaram ver nas questões colocadas.Agradeço a coordenadora Adriana pela oportunidade de mostrarmos nosso trabalho e até dia 27/10 onde voltaremos para fazer uma exposição de nossos trabalhos, até lá então.






quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Alastrando as idéias!!

Salve todos, o texto Lavagem...Não Obrigado!!,aqui postado em 13/10 foi publicado em dois outros blogs sobre literatura marginal ou periférica, como soarem melhor aos seus ouvidos,um dos blogs é o do escritor Fuzzil que faz parte do grupo de rap Os Guerreiroz ( salve Nego Chic ) e participou da coletânea de poesias Pelas Periferias do Brasil Vol.II, poesia pura, o outro é um dos vários blogs que meu parceiro Alessandro Buzo mantém, Buzo é escritor, agitador cultural, apresentador(tem um quadro no programa Manos e Minas na Tv Cultura) entre outras correrias que o cara faz, tipo multi-homem mesmo.Queria aqui agradecer o espaço e parabenizar o belo trampo que os dois fazem e dizer que estamos juntos nessa batalha, que é diária,por uma outra visão ao povo de periferia.Todos nós sabemos que ainda tem muito pra vir, que ainda temos muito a fazer, mais aos poucos estamos chegando junto e não deixando nada a desejar para o "lado de lá" do muro,talentos tem de sobra,segue abaixo os links onde o texto foi publicado...vale muito a pena dar uma conferida nos trampos dos parceiros também...abraço...é nóis!!!

Tubarão

http://www.literaturaperiferica.blogger.com.br/

http://fuzzil.blogspot.com/

sábado, 25 de outubro de 2008

Saudade da Lagoa ??

Cinco torres com 14 andares.
Esse é o novo empreendimento imobiliário da cidade de Santos endossado pelo "herói" Papa e seus vereadores.
Sabem aonde?
No Morro da Nova Cintra
E como se não bastasse o caos viário e de qualidade de vida (haverá água para todos no verão? e o esgoto?) que o "complexo" irá causar no local (só vejo vantagem para a construtora) ainda tem um outro detalhe: o "residencial" fica em frente à Lagoa da Saudade.
Prejudicar um ponto turístico do nível da lagoa (que sabe-se lá porque, não é considerada como tal), a nossa população e os turistas da cidade (mesmo se muitos chegam e partem daqui sem saber da existencia de tal ponto) a troco de que?
O que fazer?
Assistir ao levantamento das cinco torres resmungando?
Esperar novas propagandas e continuar a fingir que a nossa cidade é a que vemos na publicidade?
Pedir um terceiro mandato para o Papa?
O S.O.S. Lagoa (um grupo formado para defender a Lagoa da saudade de tal empreendimento) está fazendo circular um abaixo-assinado para o Ministério Público para que sejam promovidas audiências públicas junto aos moradores do Morro da Nova Cintra e de Santos, para detalhar e rever os estudos existentes, apresentando esclarecimentos sobre os impactos ambientais na vizinhança e no trânsito decorrentes deste empreendimento.
Há um projeto para a revisão da "Lei de uso do solo" na cidade,mas os vereadores governistas (muitos deles reeleitos) esvaziaram a última sessão evitando assim a votação.
Vamos assinar enquanto ainda há tempo (será?):

http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html
Para quem quer saber mais sobre o S.O.S. Lagoa e os efeitos que essa nova trapalhada pode causar:
http://soslagoa.com.br/blog/
Leandro Luiz Rodrigues
Mais textos o blog:http://mandandobrasa.blogspot.com/


PS - Peço a todos meus parceiros que sabem o que representa a Lagoa da Saudade desde a infåncia que ajudem na votaçåo pela a audiência, assim poderemos TODOS ter o direito de demonstrar nossas opiniøes ou entåo de Lagoa da Saudade sobrará apenas a saudade da lagoa!!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

dulixo mandando brasa!!

O blog Mandando Brasa, de meu amigo e parceiro de longo data, Leandro Rodrigues, resolveu prestar uma homengaem ao nosso trabalho com um texto chamado Reciclagem, aqui publicado anteriormente, "Palavras de uma Mente Reciclada".Agradeço em nome da família dulixo pelas palavras e pelos belíssimos textos que vem publicando, proporcionando além de uma boa leitura reflexão para vários assuntos, parabéns você guerreiro pela mente sempre reciclada e continue sempre mandando brasa..."é nóis malungo".

Segue abaixo o link do blog para todos conferirem...vale demais a pena.

http://mandandobrasa.blogspot.com/2008/10/reciclagem.html

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Lavagem..não obrigado !!

Descendo pelas ruas no meu dia a dia...só correria
Vejo estampado em vários rostos a agonia de Josés e Marias
Que já não vivem apenas sobrevivem...essa condição caótica
Embaça minha ótica...fico confuso, perco o fuso
Mas não fujo muito menos me entrego a esse jogo sujo.
O que “eles” querem eu já sei ( querem enganar a quem?)
Tudo sempre dentro da lei...o povo dominado sempre dizendo amém!
Sigo fora disso tudo pois quero ir alem...não vou pisar na cabeça de ninguém por meia dúzia de notas de cem.
Vivendo no meio dos”porcos” sem comer a lavagem...essa é a rota de minha viagem.
O Globo ta inchado...o clima alterado
Destruição da Amazônia e do Cerrado
Nas grandes cidades todos amontoados...até para respirar já ta embaçado
Corrupção rolando solta no senado...o suor do meu povo é combustível
Pra máquina do Estado...cambada de safados!
Onde o capitalismo com seu imperialismo
Prega o consumismo levando nossa gente pro abismo
Isso sim é terrorismo
Se duvidas, proponho a você
Ligue a TV e irá perceber
O que o Sistema tem a oferecer
A fórmula da felicidade vão querer te vender
Te impondo que o importante é ter e não ser
Comprem ...comprem...pois isso sim é crescer
É assim que nos forçam viver
Sem cultura...uma boa leitura...cursando escola até chegar a formatura
Mais nos sobram...viatura...tortura..resquício de ditadura
Mais de 500 anos de vida dura
Por isso não caia nessa armadilha...faça você mesmo sua trilha
Não fortaleça os políticos...corra por sua família!!

Vivendo entre os “porcos” sem comer a lavagem esse é o desafio de minha passagem !!

Tubarão

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

palestino dulixo!!


Customizado por Nariz...meu aliado na guerrilha da dulixo...sempre inovando...é nóis!!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

MISS -São José dos Campos






Trampos da Grafiteira Miss de São José dos Campos, um ano e pouco de grafite e que faz parte do projeto Grafiteiras BR...parabéns pelos trampos guerreira.

Palavras de uma mente reciclada



RECICLAGEM

Do esperma reciclado faz-se vida;
Do arroz reciclado faz-se bolinho;
Da careta reciclada faz-se riso;
Do vírus reciclado faz-se vacina;

Do novelo reciclado faz-se casaco;
Da areia reciclada faz-se castelo;
Do louco reciclado faz-se gênio;
Do discípulo reciclado faz-se mestre;

Do inverno reciclado faz-se primavera;
Da erva reciclada faz-se chá;
Do country reciclado faz-se rock;
Do almoço reciclado faz-se jantar;

Do sapo reciclado faz-se príncipe;
Da debutante reciclada faz-se noiva;
Da paisagem reciclada faz-se quadro
E do lixo reciclado faz-se arte;

Arte do lixo,
Criatividade reciclada
Apartando arte de lixo
Extraímos do lixo a arte.


Leandro Luiz Rodrigues

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

LINDOMAR 3L - DAS RUAS MINEIRAS



Lindomar 3L, é um rapper natural da cidade de Uberaba (MG) e iniciou sua carreira musical em 2001, com o grupo '3L MC's' (Lucas, Luis e Lindomar), e foi daí que surgiu o nome '3L', que hoje em dia quer dizer 'Levada Lúcida Libertária'.
Se apresentando em vários eventos de Hip Hop locais, entre eles, batalhas de
Freestyle, o rapper ficou conhecido e reconhecido em sua região, se tornando
referência quando o assunto era debates, e com isto surgiu muitas entrevistas e
participações com outros rappers de sua cidade. Tudo isto se deve também ao seu
trabalho social, com oficinas de rima, palestras sobre Hip Hop e um programa de rádio chamado 'Bom Som Periferia'. Em novembro de 2006, o rapper foi apresentado ao público do Hip Hop nacional através de sua participação no premiado CD 'Aviso às Gerações' do rapper GOG de Brasília, na faixa 'Periferia Tem Talento'. Em 2007, Lindomar 3L se apresentou em várias cidades brasileiras como mc de apoio do GOG e participou da gravação do DVD 'Cartão Postal Bomba!' e da coletânea "GOG Convida", junto com renomados artistas brasileiros como Lenine, Maria Rita, Gerson King Combo, Paulo Diniz, Rapadura, Izaías
Jr. (Provérbio X), Dj Tiago, Kiko Sant™Ana, Nego Dé, Maskoty (Ideologia e tal) e Ellen Oléria, Indianna Noma, Richelmy, Angel Duarte, Ariel 'Haller' Feitosa, Ted, Bruno e Paulinho da renomada banda MPB Black (DF).
Em julho de 2008, chega às lojas de todo o Brasil, o primeiro CD do rapper Lindomar 3L. Batizado 'Das Ruas Mineiras', o trabalho conta com participações super especiais, entre elas, GOG, o Poeta do Rap Nacional, Angel Duarte, Dj Tiago nos toca-discos, Thugz, Paulo (Etnia do Gueto), Dunga (Audácia), Kiko Sant™Ana e Ellen Oléria,nos vocais, as produções musicais ficaram por conta de Ariel 'Haller' Feitosa, Diogo Santos e Rapadura. 'Das Ruas Mineiras' é uma obra feita com muita originalidade e personalidade e conta ainda com parcerias importantes, onde a produção executiva é da Só Balanço (DF), distribuição da Marola Discos (DF) e assessoria da Livre Produções (BH).
Referência - www.gograpnacional.com
Contatos:
Filipe Thales
Livre Produções Artísticas
31.2551.2036 8819.6768
contato3l@hotmail.com /
www.myspace.com/lindomar3l

Reflexão de um Vida Loka

Às vezes tento compreender aquilo que não sei explicar, de que matéria estúpida e torpe são feitas as mentiras tão necessárias imprudentes, todos nós precisamos mentir por amor, amizade, respeito e consideração mas especialmente pelo prazer e pelo medo, prazer de enganar e medo de dizer a verdade, quem diz a verdade se expõe e fica a mercê do julgamento e da tirania dos hipócritas que dizem: não fale, não ouça, não veja, não sinta, apenas finja, finja que acredita que os sentimentos são lâminas cegas esterelizadas que cortam sua pele superficialmente sem jamais atingir sua alma, mais e aí ? Todos os dias sorrimos afirmando que somos felizes, e a vida regrada pelas paixões mal resolvidas, pelos desejos confinados e principalmente pelo prazer momentâneo, efêmero e insano de pequenos fragmentos do que chamamos de felicidade, analise e reflita, jamais houve na humanidade em que predominou tanta vaidade.

Dijalma Oliveira Rios, vulgo Cascão - Trilha $onora do Gueto

(trecho da letra Coração de V.L. num bati...balança -T$G)

Paredes du CES

Um breve registro fotográfico daquilo que está sendo coberto por novas tintas no Centro de Evolução Social, vulgo Centro dos Estudantes de Santos - CxExSx

por Nariz...vulgo Telmo Toledo!!









terça-feira, 7 de outubro de 2008

dulixo e a criançada

Aproveitando a semana da criança aconteceu nesta terça uma oficina do projeto dulixo na escola José da Costa Sobrinho no Jardim Piratininga em Santos, onde mais de 50 crianças dividas,em duas turmas,puderam ter contato com a arte e um pouco sobre o que devemos fazer com o lixo que produzimos,agradeço as professoras Rosemeire, Nathália e Consuelo que ajudaram muito no desenvolviemnto das atividades e a diretora Ana pelo convite para a realização das oficinas.Mais um dia bem produtivo em prol da arte e da educação, valeu a todos que participaram!!












Mar de Lixo!!

Vídeo: Mar Sintético...

...ou Sopa de lixo plástico maior que os EUA bóia no Oceano Pacífico

Impressionante esse vídeo sobre resíduos plásticos boiando no Oceano Pacifico, na região chamada de Giro Subtropical do Norte do Pacífico. São lixos plásticos, de todos os tipos e tamanhos, vindos de tudo que é lugar. Nessa área tem seis vezes mais plástico do que plâncton! Acredita-se que ali tenha 100 milhões de toneladas de lixo plástico.

A Fundação Algalita, que realiza estudos sobre a presença de plástico nos oceanos, acaba de traduzir para o castelhano um vídeo sobre os parâmetros desta sopa plástica que se encontra flutuando no Giro Subtropical do Norte do Pacífico. Como pode ser visto neste vídeo, a densidade de detritos plásticos encontrados nesta zona é surpreendentemente alta.

E a que se deve tudo isto? O Giro Subtropical do Norte do Pacífico é uma área de convergência, onde as correntes oceânicas, que giram no sentido dos ponteiros do relógio, agem como um mecanismo de retenção impedindo que os dejetos plásticos se desloquem em direção aos litorais e se acumulem. Poderia se disser que se trata de uma gigantesca corrente superficial na forma de redemoinho.

Estamos destruindo os oceanos, o mundo marinho! Há volta?

Vídeo de 10m:51s, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=7SVMJubrPlM

domingo, 5 de outubro de 2008

Arte dulixo



Material usado: galão de amaciante...galão de água mineral e papel machê, tinta latéx.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Lixo

Encontram-se na área de serviço.
Cada um com seu pacote de lixo.
É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?

Luis Fernando Veríssimo

PS - Contribuição de Luciane Cortez e Fabiano Campos...tamo junto familia!!

Festa de Aniversário da A.A. Ponte Preta do Leme -Taboão da Serra/SP


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Pássaro de Milagres - Uma Declaração de Objeção de Consciência


Com asas negras&vermelhas de um cume para um vale
E então de um vale para um cume voa
Um pássaro fiel a liberdade, eu a chamo de Anarquia
E o que eu chamo Verdade é
Um sonho imaginando a si mesma um pássaro
A espécie humana é uma pena em suas asas
O pássaro agita
A pena cai na terra
Terra, girando em volta
Queimando debaixo de uma cobertura de estrelas
a noite e o sangue exsuda para fora
de nossa bem escondida cicatriz arcana.
Terra, cheia de escuridões, cheia de mentiras
Contudo novamente a terra é
este céu este inferno
mentindo diante de nosso olhos.
Você, eu, terra, céu, corpos celestiais
A água escondendo pérolas e corais
Frutas, cachos, criaturas miscelâneas
toda epifania Dela
Tão extensa e tão grandiosa Ela é
ela é sua própria cortina
se você gostaria de ver
dê uma olhada em si mesmo
Um eu dentro de você mesmo
Um eu dentro de mim mesmo
Não confunda isto com ópio, este é o enigma da Verdade
Em um mundo cruel afundado na escuridão esta é a consciência
na qual é um grito de um pássaro
cuja língua nunca pode ser amarrada
isto fura todos os corações endurecidos-pedras
e seguramente há algumas pedras nas quais os riachos irrompem adiante
e com certeza algumas pedras quando quebram
águas separadas borbulham por todos os lados
Bem, então, deixe o pássaro de milagres cantar:
Em qualquer exército acossando a terra em desafio à Verdade Soberana
Eu nunca serei recrutado
Eu terei flores em meus cabelos, argolas nas minhas orelhas
A beldade da criança selvagem em mim nunca será manchada
por qualquer insígnia humilhante sob meus ombros
Eu nunca manterei a marcha
mas meus pés irão examinar todos os desvios em direção à Verdade
E Senhores, Mestres, Comandantes,
nunca jamais fatigue sua boca para me comandar
Para isso não obedecerei nenhum comando nunca mais exceto a palavra da Verdade!


Inan Mayis Aru